domingo, 3 de março de 2013

(Entre Parêntesis) # Crónica nº 4 - Cartas que eu nunca te escrevi


Querido Romeu,

Tinha tanto para dizer, mas talvez não encontre as palavras certas. Sei que já passou muito tempo, mas para que serve o tempo, se não for para nos trazer certezas?
 Há dúvidas que nunca conseguimos calar e fantasmas que nos assombram todos os dias. Lembro-me daquela última dança… tenho medo que tenha sido apenas um sonho. Será que foi? Estarei eu a perder a consciência da realidade? Sei que me perco em belas fábulas e contos de fadas, quem não se perde? É sempre à mesma hora, por volta das doze badaladas…começa sempre da mesma maneira:

Era uma vez…
(…)

Não me importa o meio da história, o enredo, o cenário, os muitos lobos maus, os monstros mais ou menos feios, as bruxas malvadas… todo o meio se perde no encanto do final feliz. Mas a vida não é um conto de fadas, no entanto pode ser uma página em branco… onde podemos sonhar e escrever aquilo que bem quisermos.  Talvez as palavras ganhem vontade própria e tenham a coragem que os autores nunca tiveram. Ou talvez não passem também elas de palavras desenhadas a preceito com o lápis da solidão… ou talvez nem elas consigam chegar a tocar as estrelas. Há páginas escuras… essas precisam sempre de mais luz, nada que um luar não resolva.
Lembro-me de desfolhar madrugadas… o sono teimava sempre em fugir no ultimo instante. Esgueirava-se por entre as sombras da alma, corria na teia das horas e acabava por desaparecer nos primeiros raios de sol, mas a culpa da insónia continuava lá, mesmo estando acordada… Acho que nunca me abandonou. 

Lembro-me daquela música que tocava sempre que me visitavas…podiam passar milhares de anos, que eu sempre me recordaria de cada nota… eram demasiado sentidas para as esquecer. Mas nem elas o vento deixou… as vezes ainda tocam… mas talvez andem de mãos dadas com os fantasmas, talvez o sono as tenha perdido… o sapato da Cinderela também se perdeu…. Contaram-me que na história dela, alguém o encontrou. Não sei se é verdade, gostava de a encontrar para lhe perguntar. Eu sei que sou muito curiosa, mas juro que não é por mal, é só vontade de saber mais, dizem que se não perguntarmos nunca saberemos, eu só peço a Deus o dom de fazer sempre as perguntas certas. E mesmo que as respostas sejam erradas alguma coisa haveremos de aprender. Ensinaram-me a ser humilde, mas a nunca duvidar de mim, contudo, só tenho dúvidas, muitas dúvidas. Não sei se encontrarei resposta para todas elas, talvez não… mas vou continuar a perguntar, se tu permitires que eu o faça.
As vezes tenho uma ideia errada de mim, ou talvez as pessoas esperem mais de mim do que aquilo que eu realmente sou. Mas não me incomodo com isso. Aqueles que nos conhecem sabem quem somos e quem fomos, quem seremos nem nós sabemos…

Não queria esquecer-me… também não queria calar-me, mas talvez já tenha escrito demasiados talvezes … talvez tenhas resposta para alguns deles, ou talvez não. Também gostava de perguntar se ainda tens saudades, ou se já se esgotaram todas… nunca me disseste o que procuras… ou talvez já tenhas dito, e eu não entendi…
Nem sempre se dizem as coisas da mesma forma, as vezes as respostas estão naquilo que não se diz, algumas coisas são demasiado importantes para se dizerem apenas. Palavras são coisas banais, dizemos tantas ao longo do dia, a tantas pessoas, talvez seja necessário escolher as mais adequadas e vesti-las a rigor, afinal há momentos e momentos. E lá estou eu com o talvez, outra vez….
A história já não é “Era uma vez..”… agora é “Era uma outra vez…” sabes porquê?
Porque por mais que se erre na vida, há sempre um novo amanhecer, e uma página em branco para escrever… é pegar no lápis da vida, bem apontado, e deixar acontecer.
Fica com as minhas palavras e com um sorriso, deixo-te também um beijo, mas é emprestado, espero que mo devolvas com as respostas, talvez… 


Sempre tua:
                            Julieta


PS:  talvez seja um sonho….

5 comentários:

  1. Sim, Célia, o importante é sempre recomeçar...
    Um beijinho

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  2. Lou Salomé sim, recomeçar é imperativo, todas as manhãs :) BjU

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  3. António Rocha, toda a ficção é baseada numa realidade... e toda a realidade é baseada numa ficção imaginada... é assim que a minha imaginação funciona :) BjU

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  4. Dear Juliet,

    Bem após receber a tua carta, fiquei :O. Já la vai o tempo em que escrevia incentivado por quem me aquecia o coração. LOL. Como tal e acho que já vai tempo, chegou altura de tirar o pó a caneta e ao papel. E mostrar que quem sabe nunca esquece.
    Embora as coisas não estejam fáceis, e alguns fantasmas teimem em não desaparecer, talvez seja altura de chamar os caça-fantasmas e correr com eles daqui para fora. Como o Chuck Norris.
    Já passou algum tempo desde a ultima dança, impulsionada pelo Wonderful Tonight do mestre Clapton.
    Lembro-me como se tivesse sido ontem. Acredito que me saiu a sorte grande, e que se fez história. Não daquelas de Era uma vez, mas daquelas que só se vive um vez.
    A falar nisso, lembro-me de quando te conheci, tinhas uns olhos lindos e um sorriso fantástico. Foi como se tivesse ficado magnetizado. tenho saudades tua, do teu sorriso rasgado e do teu cabelo macio e cheiroso. Enfim, saudades daqueles tempos... felizes.
    Neste momento tenho tudo(bens materiais), e não tenho nada(alma gémea).
    É verdade que consigo sorri, sim como corpo e mente, mas não de alma e coração. Estamos tão perto e tão longe.
    Talvez seja tempo de evoluir e andar em frente. Ou talvez não. Muita gente me diz, que já é altura de esquecer e andar para a frente. Mas eu prefiro ficar no passado e com boas recordações, do que andar em frente e não saber ao que vou.
    Depois de nós, já muita gente veio e muita gente foi.Mas ninguém ficou, e ninguém me conseguiu tocar como tu. Era como duas metades que se completam, como a esquerda está para a direita, a morte para a vida.
    Não sei se alguma vez mais, vou conseguir voltar a sentir-me assim. Se alguém voltar a derreter-me o coração que agora é de pedra.
    Espero que sim, e espero que contigo.
    Não quero nem desejo, que tenhas pena de mim. Apenas quero que saibas o que sinto na minha alma.
    Talvez seja melhor chamar o Martin Mcfly com a sua máquina do tempo, do que os caça-fantasmas. Pois assim posso voltar atrás e alterar tudo para melhor e assim neste preciso momento, em vez de estar a escrever esta carta, talvez esteja a pedir-te em casamento, quem sabe.
    Tu sabes?
    Por fim não te tomo mais tempo com as minhas lamechas.

    Aguardo ansiosamente notícias tuas,


    Eternamente, o teu Romeu.

    PS: Provavelmente é ficção

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